Pesquisadores belgas provaram que nadar em piscina com água clorada pode contribuir significativamente para a prevalência de asma e alergias respiratórias entre adolescentes
Adolescentes que já passaram mais de 1.000 horas em piscinas coletivas tratadas com cloro têm cerca de oito vezes mais chances de terem problemas com asma e alergias respiratórias do que aqueles que nadaram em piscinas mantidas limpas por meio de ionização por cobre-prata. A estatística vale tanto para piscinas ao ao livre como cobertas. Este é o resultado de uma pesquisa da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, publicada nesta segunda (14) no periódico Pediatrics.
Segundo Alfred Bernard, toxicologista que liderou o grupo de pesquisa, "quando usado de forma apropriada, o cloro é um desinfetante eficiente e seguro. Entretanto, quando muito cloro é adicionado à água ou acumula-se no ar sobre as piscinas cobertas, os órgãos do banhista sofrem algum tipo de irritação".
O estudo legitima as evidências crescentes de que essa irritação pode ser prejudicial para as vias respiratórias de pessoas que nadam com regularidade, especialmente as crianças, mais vulneráveis. No entanto, de acordo Jennifer Appleyard, do departamento de Alergia e Imunologia do Hospital St. John Hospital de Detroit, não se deve encorajar pais a tirarem seus filhos das aulas de natação. Como o estudo é preliminar, apenas aquelas crianças que já tenham histórico de asma devem deixar a natação – ou mudar para uma escola que trate a água da piscina com outro método que não o cloro.
Crianças podem ser ainda mais vulneráveis ao cloro do que adolescentes
Nas piscinas domésticas, o pesquisador Bernard sugere uma quantidade segura de cloro, e não a adição da substância com o intuito de deixar a água mais azul – como faz grande parte das pessoas. "O cloro é um desinfetante, não um agente de limpeza", diz.
Os pesquisadores examinaram 847 adolescente, entre 13 e 18 anos, com vários graus de frequência a piscinas tratadas com métodos diferentes. Destes, 114 serviram de grupo de referência, uma vez que frequentaram piscinas tratadas com ionização por cobre-prata.
Aqueles que nadaram de 100 a 500 horas em piscinas cloradas têm 80% mais risco de ter asma, enquanto os que passaram de 500 a 1.000 horas têm o dobro disso. Quando o tempo ultrapassa as 1.000 horas, o risco de ter a doença quase quadruplica.
Na comparação entre aqueles que passaram 1.000 horas em piscinas cloradas e aqueles que raramente as frequentam, o risco aumenta oito vezes. Já o risco de alergias respiratórias mais que dobra entre os adolescentes que passaram mais de 100 horas nadando em água clorada.
Revista Epoca 14/09/2009